O rim

O rim
.

domingo, 8 de maio de 2011

O FÓSFORO NA ALIMENTAÇÃO

POR QUE É IMPORTANTE
CONTROLAR O FÓSFORO
NA ALIMENTAÇÃO?
O fósforo e o cálcio são dois minerais que, juntos, ajudam a manter os ossos saudáveis. Os rins têm importante papel na manutenção das quantidades adequadas de fósforo e cálcio no organismo.


No paciente com insuficiência renal, como os rins não funcionam adequadamente, o equilíbrio entre esses dois minerais estão prejudicado. Assim, a eliminação de fósforo pela urina diminui acumulando-se no sangue.
Alem disso, se a diálise não for adequada, o fósforo acumulado no sangue não será retirado de maneira eficiente. Altos níveis de fósforo no sangue facilitam a retirada de cálcio dos ossos. Esta situação de desequilibro dos dois minerais pode levar a doença óssea, que provoca dores, enfraquecimento e quebra dos ossos. Outros sintomas são: coceiras em todo corpo e calcificação (endurecimento) dos tecidos moles, como vasos sanguíneos, coração e pulmões, devido ao acumulo do cálcio e do fósforo nestes locais. Dessa forma, o controle dos níveis de fósforo no sangue e o primeiro passo para prevenir e tratar essas condições.
LEMBRETES
A quantidade e o tipo de quelante que devera ser tomado vai depender da orientacao do medico ou nutricionista. Nao se esqueca de tomar o quelante (Acetato de Calcio ou Carbonato de Calcio) caso você coma algum tipo de lanche, fora das refeições habituais, que contenha leite, queijo, carne, frios ou preparacoes a base destes alimentos, como, por exemplo, pudins, coxinha de frango, pastel de queijo ou carne, pizza, etc.
O quelante pode e deve ser tomado durante a diálise caso você coma alimentos com fósforo


ALIMENTOS RICOS EM FÓSFORO QUE NÃO DEVEM SER CONSUMIDOS:

Existem também outros alimentos ricos em fósforo que não são necessários para que você se sinta bem.
Existem também outros alimentos ricos em fósforo que não são necessários para que você se sinta bem.
• Outras carnes: sardinha, miúdo (frango), fígado bovino, lingüiça, salsicha, presunto.
• Amendoim e preparações a base de amendoim, castanha de caju, nozes ou avelã.
• Refrigerante a base de cola
• Cerveja

COMO REDUZIR O FÓSFORO ELEVADO NO SANGUE?

Uma alimentação com pouco fósforo, adequando-se a quantidade, e/ou o uso de um quelante de fósforo pode ajudar.
Os quelantes de fósforo mais usados atualmente são Acetato de Cálcio ou Carbonato de Cálcio, dependendo da necessidade de cada paciente.
Os quelantes devem ser tomados durante as refeições e lanches que contenham alimentos com grande quantidade de fósforo, conforme orientação do medico ou nutricionista.
MAS O QUE É UM QUELANTE E COMO ELE AGE?

O quelante e um medicamento que tem a função de evitar que o fósforo do alimento vá para o sangue. Ele gruda no fósforo presente no alimento, sendo eliminado através das fezes. Sugestão de um cardápio habitual de um paciente com níveis altos de fósforo no sangue e que vai iniciar o tratamento com quelante:


LEMBRETES

A quantidade e o tipo de quelante que devera ser tomado vai depender da orientação do medico ou nutricionista. Não se esqueça de tomar o quelante (Acetato de Cálcio ou Carbonato de Cálcio) caso você coma algum tipo de lanche, fora das refeições habituais, que contenha leite, queijo, carne, frios ou preparações a base destes alimentos, como, por exemplo, pudins, coxinha de frango, pastel de queijo ou carne, pizza, etc.

PRODUZIDO PELA:
Equipe de Nutrição
Fundação Oswaldo Ramos
Disciplina de Nefrologia – UNIFESP- EPM

COORDENAÇÃO:
Lilian Cuppari

EXECUÇÃO:
Fernanda Hildebrand Russo
Isabel Cristina de Araujo

COLABORAÇÃO:
Carla Maria Avesani
Maria Ayako Kamimura
Nelma Scheyla Jose dos Santos
Sao Paulo - 2002
 
 
 


quinta-feira, 21 de abril de 2011

Potássio

O potássio é um elemento fundamental para o funcionamento dos músculos de todo o nosso corpo, inclusive os músculos do coração. É essencial também para o bom funcionamento das células nervosas. Os rins são os órgãos que eliminam o excesso deste elemento. Assim, na insuficiência renal, o excesso de potássio não pode ser eliminado e pode trazer complicações multo sérias na atividade muscular, como fraqueza ou cãibras e principalmente para o coração, que pode ter suas contrações enfraquecidas ou até totalmente paralisadas (parada cardíaca). Sendo assim, a restrição da ingestão de alimentos ricos em potássio é muito importante e você devem conhecer quais são esses alimentos e como reduzir a quantidade de potássio da sua dieta.

ALGUNS EXEMPLOS DE ALIMENTOS RICOS EM POTÁSSIO SÃO:

Banana, mamão, damasco, pêra cristalizada e pêssego fresco, bem como seus sucos


Hortaliças, principalmente as consumidas cruas, como por exemplo: tomate, abóbora, acelga, aipo, beterraba, chuchu, escarola, broto de bambu e rabanete.

Outros alimentos como carne, batata, feijão, soja, grão de bico, lentilha, chocolate, doce de leite, cereais integrais, amêndoa, avelã, nozes, amendoim, caldos de carne, de galinha ou de legumes, temperos concentrados para feijão, azeitona, frutas secas, café solúvel, rapadura, massa e molho de tomate ou catchup.


VEJA AGORA ALGUMAS MEDIDAS E DICAS PARA REDUZIR A QUANTIDADE DE POTÁSSIO DOS ALIMENTOS:

Qualquer hortaliça e também as frutas, mas principalmente a batata, o feijão, a abóbora, a cenoura e a batata doce podem ser preparadas da seguinte forma:
Para o feijão, a lentilha, o grão de bico e a soja, você pode fazer uma primeira fervura em bastante água e, antes que esteja totalmente cozido, desprezar a primeira água da fervura, terminando o cozimento em uma nova água. Com a primeira água de cozimento desprezada boa parte do potássio será eliminada. e os vegetais podem ser descascados e cortados em fatias finas; a seguir, deixados de molho por duas horas em uma panela cheia de água.
É importante que depois do repouso na água, sejam escorridos, enxaguados e escorridos novamente. Os vegetais devem ser então cozidos e a água do primeiro cozimento deve ser desprezada assim como foi feito com o feijão. Os vegetais podem então ser usados fritos, amassados como purê ou assados, completando molhos ou em saladas.
Alguns alimentos possuem pouca ou têm moderada quantidade de potássio e podem ser comidas com maior liberdades, não esqueça, porém, de ter a opinião de seu médico ou nutricionista sobre a quantidade Ideal que você pode consumir desses alimentos.

ALIMENTOS COM POUCA QUANTIDADE DE POTÁSSIO,QUE PODEM SER CONSUMIDOS COM MAIOR LIBERDADE:

Frutas (ou seus sucos) como caju, cereja, jabuticaba, limão, lima, uva, melancia e maracujá.

Lembre-se, no entanto, que você não deve abusar da quantidade de sucos!

Hortaliças: broto de feijão, brócolos, mostarda cozida, repolho cru e pimentão.


Os ALIMENTOS QUE CONTÊM MÉDIA QUANTIDADE DE POTÁSSIO DEVEM SER CONSUMIDOS COM MODERAÇÃO.
São eles: Frutas (ou seus sucos) como abacate, ameixa (seca ou fresca), abacaxi, amora, caqui, figo (seco),(fresco ou em calda), goiaba, kiwi, laranja, maçã, morango, nectarina, pêra, tangerina, uva e uva passas.
Hortaliças: aspargo, alface, agrião, berinjela, cenoura, cebola, couve, cogumelos, couve-flor espinafre, jiló, milho, nabo, palmito, pepino e quiabo

A TÉCNICA DIETETICA

Tem como objetivo ajudar a selecionar os alimentos para o controle dos alimentos atribuindo técnicas de pré – preparo e preparo, orientando quais os alimentos que podem ser permitidos  e evitados ( fósforo e potássio ).

PREPARO DO FEIJÃO :

Feijão Mulatinho 25g
Tomate vermelho 3g

         deixá-lo de molho por aprox. 3( tres) horas ( para cada 1oo g)em seguida descartar a água.
         Ferver o feijão ( temp. >110°C), em panela comum e sem tampa , por 25 minutos
         Descartar a água da fervura
         Acrescentar nova água e cozinhá-lo sem carnes, devendo ser temperado de modo habitual ( tomate, cebola e pimentão – pré cozidos ) sem condimentos e sal
         Após esse processo o alimento está adequado para PCT Renal




Cozimento de frutas, hortaliças( verduras e legumes). Raízes e Tubérculos



Maça 50 g                   Batata Doce 25 g
Quiabo 25g                  Mel Karo 2ml
Adoçante em pó 2g

o        Descascar e retirar as partes não comestíveis das frutas e tubérculos
o        Cortar em pedaços pequenos
o        Em recipiente separados, colocar de remolho por 1 hora ( deve ser utilizado um litro de água para cada 100 g de alimento, e em seguida ser descartada essa água)
o        Em panelas separadas levar ao cozimento utilizando outra água, não permitindo que a água do cozimento seque  .
o        Adoçar com mel Karo ou adoçante (diabetes)paciente

OBS: para preparo de sucos e doces, também devem ser utilizados frutas cozidas,
Em relação aos tubérculos e verduras, esses não devem ser acrescido de sal.




TACO_ Tabela de composição química dos alimentos (Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação – NEPA). Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP - Campinas 2006



quarta-feira, 16 de março de 2011

Doe Orgãos!


Doar órgãos é o mesmo que doar esperança.................

Olá galera segue o cartão de conscientização para aqueles que querem também ser um doador de órgão, um doador de vida! E simples só basta avisar a sua família! 


domingo, 13 de março de 2011

Dieta vegetariana é a melhor para tratar doença renal .



Já se sabe que o fósforo é um mineral que não sei totalmente na diálise, mesmo na fase não – dialítica, a diminuição do fósforo  dietético acaba sendo conseqüência da restrição protéica, uma vez que alimentos fontes de proteínas também são boas fontes de fósforo ( leite e derivados e carnes em geral).
Um estudo publicado recentemente na ultima edição da revista científica Clinical Journal of the American Society Nephrology, mostra que dieta rica em vegetais apresentam, menos quantidades de fósforo em relação as que não consumiam menos, chegando a conclusão também o tipo de proteína podem ser mais importante que as suas quantidades, permitindo assim aumentos nas suas quantidades, sem elevação dos níveis plasmáticos de fósforo
___________________________________________________________________



___________________________________________________________________
Para pacientes com doenças renais, o melhor pode ser passar a ter uma alimentação vegetariana. É o que sugere um estudo da Universidade de Indiana, nos EUA, que mostra que, quando pacientes com esses problemas se alimentam apenas de vegetais, eles apresentam menores níveis de fósforo, o que ajuda a prevenir complicações graves, incluindo doenças cardiovasculares.
Avaliando nove pacientes com doença renal crônica, os pesquisadores observaram que, na semana em que tinham uma dieta vegetariana, os voluntários apresentavam menores níveis de fósforo no sangue e na urina, comparado à semana em que tinham uma alimentação que incluía carne. E isso ocorria mesmo com as duas dietas apresentando quantidades equivalentes de proteína e fósforo.
“Esses resultados, se confirmados em estudos mais longos, fornecem fundamentos para a recomendação de uma predominância de fontes vegetarianas de proteínas baseadas em grãos para pacientes com doença renal crônica”, escreveram os autores na última edição da revista científica Clinical Journal of the American Society Nephrology. “As descobertas sugerem que as fontes de proteínas podem ser mais importantes do que a quantidade, e permite aumentos na ingestão de proteínas”, concluíram.

 Fonte: blogboasaude.zip.net

quarta-feira, 2 de março de 2011

Alterações renais com o envelhecimento

                             

Antonio Carlos Leitão de Campos Castro
Armando Miguel Junior

 Local da realização
Instituto de Medicina Metabólica
Sumário 
 
Com a idade ocorrem inúmera alterações anatômicas e funcionais dos rins que podem confundir o diagnóstico da insuficiência renal nas pessoas idosas, sobretudo na em uso de medicamentos nefrotóxicos. Nesta revisão os autores tecem breves comentários de algumas alterações renais do idoso.

Anatomia renal

Apesar da idade o rim mantém seu contorno relativamente liso, entretanto, a massa renal declina progressivamente e o peso renal diminui de 250 a 270 gramas na idade de 30anos para 180 a 200 gramas na idade de 70 anos. A perda da massa renal é primeiramente cortical, relativamente poupando a medula. O número de glomérulos identificados histologicamente diminui, de acordo com a diminuição no peso renal. A proporção de glomeruloesclerose aumenta 1 a 2% entre as idades 30 e 40 para mais de 12% após a idade 70 e é proporcional à quantidade de aterosclerose que ocorre em outra parte no corpo.
Os tufos glomerulares transformam-se ficando menos lobulados, o número de células mesangiais aumentam, e o número de células epiteliais diminui, assim reduzindo a área de superfície disponível para a filtração. Entretanto, a permeabilidade glomerular não muda com idade. Diversas mudanças microscópicas menores ocorrem no túbulo renal com idade. Divertículos aparecem no nefron distal, alcançando uma elevação de aproximadamente três por o túbulo pela idade 90. Este o divertículo pode transformar-se em cistos da retenção, que são comuns nas pessoas idosas. Seu significado clínico é desconhecido. As paredes das grandes artérias renais sofrem as mudanças escleróticas com idade. As artérias menores parecem ser poupadas.
Somente 15% dos idosos normotensos têm mudanças escleróticas nas arteríolas renais.
Existem dois achados característicos relacionados à mudança pela idade que ocorrem em unidades arteriolar-glomerular: O primeiro achado, ocorre na área cortical, é caracterizado a hialinização e o colapso do tufo glomerular. O lúmen da arteríola pré-glomerular torna-se obstruído, com uma perda resultante no fluxo do sangue. O segundo achado, ocorre na área justamedular, é caracterizado pela esclerose glomerular e o desenvolvimento da continuidade anatômica entre pelos arteriolas aferente e eferente. A ponto da extremidade é desviar do fluxo do sangue da arteríola aferente para arteríola eferente e a perda dos glomérulos. O fluxo do sangue é mantido nos vasa-recta, a fonte vascular preliminar da medula; estas arteríolas não diminuem em número com idade.
Diversas funções dos túbulos proximais, como excreção máxima do p-aminohipurato e do iodopiraceto e da absorção máxima da glicose, paralelizam o declínio na taxa de filtração glomerular, sugerindo que com a idade, a função tubular desaparece em nefrons inteiros.
Fluxo sangüíneo renal
O fluxo renal do sangue diminui progressivamente 1200 mL/minuto de 30 a 40 anos para 600 mL/minute na idade 80 anos. O fator preliminar é a diminuição da rede renovascular. Entretanto, a redução no fluxo não reflete simplesmente a massa renal diminuída porque o fluxo por grama do tecido renal diminui progressivamente após a idade 30 a 40. Esta diminuição é resultante das mudanças anatômicas fixas e maior que ao vasoespasmo reversível, como mostrado por estudos com agente vaso-ativos.
Estudos histológicos mostram a perda seletiva da vasculatura cortical com idade, com diminuição significativa do fluxo cortical e o fluxo medular preservado, demonstrado por estudos fisiológicos com drogas vaso-ativas
Estas mudanças da vasculatura esclarecem provavelmente o defeito cortical vistos geralmente em cintilografia renal de pessoas idosas saudáveis.

Taxa de filtração glomerular

Uma diminuição na taxa de filtração glomerular é o defeito funcional o mais importante causado pelo envelhecimento. A diminuição é medida pelo creatinina, que é estável até a idade 30 a 40 e declina de forma linear em uma taxa média de aproximadamente 8 mL/minute/1.73 m2/década em aproximadamente dois terços de pessoas idosas sem doença renal ou tratamento para a hipertensão.
Um terço de pessoas idosas não mostra nenhuma diminuição na taxa de filtração glomerular.
Este variabilidade sugere que outros fatores além do envelhecimento podem ser responsáveis para a redução aparente na função renal.Por exemplo, os aumentos na pressão de sangue dentro da escala normal estão associados ainda com uma perda acelerada da função renal relacionada com a idade.

Função reabsortiva

A glicosúria se relaciona inversamente ao grau de capacidade reabsortiva dos nefros individuais e aumenta com idade. Assim, a glicose geralmente aparece na urine em um nível mais elevado do quer no sangue de um paciente diabético mais velho do que em um mais novo. A menos que um defeito tubular específico possa existir, a habilidade de concentrar e a urina diluída de excretar ácidos também mudam na taxa de filtração glomerular na maioria de pessoas. Embora o sistema tubular renal responda normalmente as dosagens padronizadas da vasopressina, com a idade diminuía habilidade máxima de concentrar urina. Esta diminuição parece ser devido a uma inabilidade relativa manter o gradiente (osmótico) do soluto na região medular do rim. A razão para esta inabilidade não está clara.


 
Publicado por: Dra. Shirley de Campos, 27/06/2004

Disponível em: http://www.drashirleydecampos.com.br/categorias/69/

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Proteínas na Dieta



Olá amigos, essa semana encontrei uma dificuldade enorme em encontrar artigos, matéria, etc, disponíveis que tratem diretamente sobre dietas hiperproteicas como fator de risco para progressão da doença renal, em estudos recente encontrei uma matéria disponível no site NuriTotal ( disponível nessa postagem  ). Que mostra que não há estudos que mostrem essa relação,  Porem um artigo disponível aqui mesmo no blog, sobre o papel da Dieta Como Fator de Risco Para Nefropatia Diabética, mostra que a alta ingestão de proteínas determinava uma vasodilatação em glomérulos com conseqüente aumento da pressão hidrostática capilar e aumento da taxa de filtração glomerular (TFG) ). Estas alterações hemodinâmicas renais ocorreriam após cada refeição que contivesse proteínas e manteriam um estado de vasodilatação renal crônica que favoreceria o desenvolvimento de lesões glomerulares em pacientes que já apresentassem algum grau de lesão rena. Os dois estudos estão a disposição para leitura, vocês irão gostar,  porem um é do 2005 e  o outro de 2006 caso tenham algum estudo mais recente ou tão interessante quanto gostaria muito que mi  mandassem . Façam parte dessa pesquisa comigo, caso tenham algum artigo, indicação de algum livro mandem para mim, vamos aprender juntos: nutrinefro@bol.com.br.


Autor (a):       Camila Garcia Marques
Data:             14/09/2006 12:51:32

O consumo excessivo de proteína na dieta pode causar insuficiência renal em indivíduos saudáveis?

O impacto do consumo excessivo de proteína alimentar na doença renal tem sido estudado há muitos anos, mas ainda não há evidências suficientes que comprovem que a alta ingestão de proteína possa causar danos renais em indivíduos saudáveis, e que, portanto, possuem um funcionamento normal dos rins.
Um indivíduo adulto com peso normal deve ingerir 0,8 g de proteína por kg de peso corpóreo ao dia, ou 10 a 35% do valor calórico total da dieta sob a forma de proteína. Diversos estudos já mostraram que a alimentação do brasileiro tem proporção de proteínas mais alta do que o recomendado.
Algumas explicações para a possível relação entre alta ingestão de proteína e dano renal são de que, como os rins eliminam os produtos do metabolismo da proteína (como uréia, amônia, dentre outros resíduos nitrogenados), seu consumo elevado pode aumentar a taxa de filtração glomerular, causando aumento da pressão dentro dos glomérulos. Isso pode fazer com que a função renal seja prejudicada progressivamente. Além disso, também pode haver sobrecarga do fígado, por ser o órgão responsável pela metabolização de aminoácidos.
Apesar disso, alguns autores acreditam que essas alterações ocorridas na função renal devidas ao elevado consumo de proteína são adaptações fisiológicas normais do organismo humano, certamente que dentro de um limite da capacidade renal. Um bom exemplo é o que acontece com as gestantes, que precisam aumentar sua ingestão calórica total, com conseqüente aumento da proteína alimentar, e como conseqüência aumentam em 65% a taxa de filtração glomerular. Nem por isso elas estão em risco para desenvolverem doença renal.
Mas é importante lembrar que, mesmo não havendo comprovações científicas de danos renais com a ingestão elevada de proteína, podem ocorrer outros problemas. Por exemplo, quando há excesso de proteína na circulação sangüínea, esse nutriente será degradado e depois armazenado na forma de gordura, contribuindo para o desenvolvimento da aterosclerose e doenças cardíacas. Além disso, uma alimentação com altas concentrações de proteínas limita a ingestão de outros nutrientes essenciais, necessários para o organismo humano suprir a quantidade energética diária, pois, na maioria das vezes, a dieta deixa de ter variedade de alimentos. Outro agravante é que o consumo em excesso de proteína causa amento da excreção de cálcio e, portanto, diminui a utilização desse mineral.
Portanto, estudos em longo prazo precisam ser realizados para verificar essa relação, mas, até o momento, não é necessária a restrição na ingestão de proteína em indivíduos saudáveis. Já para indivíduos que têm a função renal debilitada, uma dieta restrita no consumo de proteína pode ser benéfica.

Pergunta enviada pelo leitor: Marco Antonio Olavo Pereira.

Bibliografia (s)

Knight EL, Stampfer MJ, Hankinson SE, Spiegelman D, Curhan GC. The impact of protein intake on renal function decline in women with normal renal function or mild renal insufficiency. Ann Intern Med. 2003;138(6):460-7. Disponível em: http://www.annals.org/cgi/reprint/138/6/460.pdf. Acessado em 13/09/06.

Martin WF, Armstrong LE, Rodriguez NR. Dietary protein intake and renal function.
Nutr Metab (Lond). 2005 Sep 20;2:25. Disponível em: http://www.nutritionandmetabolism.com/content/2/1/25. Acessado em 13/09/06.

St Jeor ST, Howard BV, Prewitt TE, Bovee V, Bazzarre T, Eckel RH; Nutrition
Committee of the Council on Nutrition, Physical Activity, and Metabolism of the
American Heart Association. Dietary protein and weight reduction: a statement for healthcare professionals from the Nutrition Committee of the Council on Nutrition, Physical Activity, and Metabolism of the American Heart Association. Circulation. 2001;104(15):1869-74. Disponível em: http://circ.ahajournals.org/cgi/content/full/104/15/1869. Acessado em 13/09/06.

The National Academies Press. The Role of Protein and Amino Acids in Sustaining and Enhancing Performance. Institute of Medicine (IOM). 1999. Disponível em: http://darwin.nap.edu/books/0309063469/html/137.html. Acessado em 13/09/06.

Petzke KJ, Elsner A, Proll J, Thielecke F, Metges CC. Long-term high protein intake does not increase oxidative stress in rats. J Nutr. 2000;130(12):2889-96. Disponível em: http://jn.nutrition.org/cgi/content/full/130/12/2889. Acessado em 13/09/06.

Millward DJ. Optimal intakes of protein in the human diet. Proc Nutr Soc. 1999;58(2):403-13.

Itoh R, Nishiyama N, Suyama Y. Dietary protein intake and urinary excretion of calcium: a cross-sectional study in a healthy Japanese population. Am J Clin Nutr. 1998;67(3):438-44. Disponível em: http://www.ajcn.org/cgi/reprint/67/3/438. Acessado em 13/09/06.

Araújo ACM, Soares YNG. Pattern of utilization of protein supplements in academies in Belém, Pará. Rev. Nutr. 1999;12(1):81-89. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-52731999000100007. Acessado em 13/09/06.

Slywitch E. Proteínas. In: Slywitch, E. Alimentação sem carne. São Paulo: Palavra Impressa, 2006.

Amorim MMA, Junqueira RG, Jokl L. Adequação nutricional do almoço self-service de uma empresa de Santa Luzia, MG. Rev Nutr Campinas. 2005;18(1):145-56.

Savio KEO, Costa THM, Miazaki E, Schmitz BAS. Avaliação do almoço servido a participantes do programa de alimentação do trabalhador. Saude Publica. 2005;39(2):148-55.

Pesquisa de orçamentos familiares: 2002 – 2003. Análise da disponibilidade domiciliar de alimentos e do estado nutricional no Brasil. IBGE; Rio de Janeiro, 2004. Disponível em: 'http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/condicaodevida/pof/2002analise/pof2002analise.pdf. Acessado em 14/09/06.

Pesquisa de orçamentos familiares: 2002 – 2003. Aquisição alimentar domiciliar per capita. Brasil e grandes regiões. IBGE; Rio de Janeiro, 2004. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/condicaodevida/pof/2002aquisicao/pof2002aquisicao.pdf. Acessado em 14/09/06.

The National Academy Press. Dietary Reference Intakes for Energy, Carbohydrate, Fiber, Fat, Fatty Acids, Cholesterol, Protein, and Amino Acids (Macronutrients) (2005). Disponível em: 'http://www.nap.edu/books/0309085373/html/1324.html. Acessado em: 14/09/06.